Atualidades
Reescrever a herança mitocondrial
2018.11.28
Muito recentemente, um estudo revolucionário mostrou que existem pessoas que possuem ADN mitocondrial transmitido pelo pai.

As mitocôndrias são organelos celulares muito importantes, uma vez que têm um papel fundamental na respiração celular e são responsáveis pela produção de energia para a célula.



Apesar da maior parte do nosso ADN se encontrar no núcleo da célula, existe uma pequena quantidade presente nas mitocôndrias.



Mesmo com o avanço dos estudos celulares, pensava-se que, na maioria dos mamíferos o ADN mitocondrial (material genético que está presente nas mitocôndrias das células) era herdado exclusivamente da mãe e que o do pai seria destruído imediatamente após a fecundação.



No passado, já foram encontradas algumas exceções em alguns animais. Percebeu-se que em alguns casos raros, como em ratos e ovelhas, o ADN mitocondrial era transmitido pelo pai. No entanto, sempre foi muito controversa a ideia de os humanos terem a capacidade de herdar o ADN mitocondrial paterno, pelo que um estudo Dinamarquês em 2002 foi bastante contestado, quando afirmou que um homem parecia ter herdado 90% do seu material genético mitocondrial do pai. Como nos 16 anos seguintes não houve evidência de um caso semelhante, chegou a pensar-se que seria um erro técnico.



Muito recentemente, um estudo revolucionário mostrou que existem pessoas que também possuem ADN mitocondrial transmitido pelo pai. Os investigadores do Centro Médico do Hospital Infantil de Cincinnati encontraram evidências de que, em 3 famílias distintas, 17 pessoas pareciam herdar ADN mitocondrial não só da mãe mas também do pai. De forma a confirmar esta descoberta, o ADN foi analisado com métodos distintos por outros dois laboratórios.



Este achado, se confirmado, pode mudar radicalmente aquilo que se acredita ser a herança mitocondrial, podendo ter implicações futuras no aconselhamento genético e no campo genético em geral, uma vez que se usa o ADN mitocondrial para estudos genéticos de parentalidade.



Tudo começou quando, os cientistas da Cincinnati Children decidiram investigar os resultados dos testes genéticos incomuns, de um menino de 4 anos de idade. Suspeitava-se que o rapaz teria uma doença mitocondrial, ou uma doença que tivesse como origem uma mutação no ADN mitocondrial. No entanto, quando este foi sequenciado não revelou nenhuma mutação que pudesse ser causa de uma doença, mas aperceberam-se de algo bastante incomum: estavam presentes dois conjuntos de ADN mitocondrial. Com o avançar do estudo, chegaram à conclusão que a mãe do menino herdou o ADN mitocondrial, não só da parte materna mas também da parte paterna (avó e avô do rapaz), que foi transmitido à descendência. Esta descoberta levou à análise de mais 10 pessoas da família (de 3 gerações distintas), concluindo que estas herdaram ADN mitocondrial de origem “biparental”, ou seja, de ambos os progenitores.



De forma a comprovar estes resultados, foram incluídas outras famílias não relacionadas, onde se observou esta situação em duas delas, ou seja, foi identificado ADN mitocondrial biparental em mais sete pessoas.



Estes resultados levantam a pertinente questão de “quantos outros casos de indivíduos com herança biparental [do ADN mitocondrial] foram descartados como erros técnicos”, afirmaram os investigadores.



No futuro, há necessidade de levar a cabo uma investigação que expanda a nossa compreensão mais clara do processo de transmissão desta herança mitocondrial, de forma a perceber de que forma é que este ADN é passado de pai para filho.


https://www.livescience.com/64172-mitochondrial-dna-dads.html
Imprimir
« voltar
  2018 © Centro de Ciência Júnior . Política de Privacidade powered by ponto.C | webdesign by walk