Atualidades
Vulnerabilidades de uma bactéria resistente aos antibióticos
2018.10.31
Uma equipa do Instituto de Tecnologia Química e Biológica (ITQB) da Universidade Nova de Lisboa, liderada pela investigadora Mariana Gomes de Pinho, conseguiu identificar o mecanismo da divisão celular de uma bactéria resistente aos antibióticos, Staphylococcus aureus (bactéria causadora de muitas infeções em ambiente hospitalar).

Com esta descoberta e com a sua publicação numa revista científica conceituada, a revista Nature, ganharam um prémio Pfizer no valor de 20 mil euros.



As bactérias são seres procarióticos e unicelulares pertencentes ao reino Monera que, ao aglomerarem formam colónias tornando-as, deste modo, visíveis a olho nu. Alguns destes seres causam doenças, outros são fixadores (participam no ciclo do nitrogénio e são decompositoras da cadeia alimentar) e outras são usadas em processos industriais. Não apresentam um núcleo definido, logo o seu material genético encontra-se disperso no citoplasma na forma de nucleóide. Ainda se verifica uma parede celular (constituída, maioritariamente, por peptidoglicano, uma longa cadeia de açúcares e aminoácidos), que envolve a membrana citoplasmática, que tem como função conferir rigidez e proteção à bactéria, como mostra a Figura 1.





 



 



 



 



 



Figura 1: Esquema de uma célula procariótica (bactéria).



A sua reprodução é feita assexuadamente ou seja, uma célula-mãe divide-se, por mitose, em duas células-filhas. Estas bactérias apresentam citoesqueleto (esqueleto interno) e exoesqueleto (parede celular) e, com esta investigação descobriram que, para ocorrer a divisão celular é necessário, primeiramente, haver a ação da proteína FtsZ (encontra-se no citoesqueleto) que forma um anel no local da divisão, forçando a bactéria a recrutar outras proteínas. Com o início do fecho do anel e com a força exercida pela síntese do peptidoglicano, começa a formar-se o septo (parede que se verifica no meio da célula-mãe) sendo que, este septo é que permite que a bactéria se divida. Dado que, tanto a proteína FtsZ como o septo forçam a divisão celular, o objetivo desta investigação seria descobrir um momento em que a bactéria estaria mais vulnerável aos antibióticos.



Os investigadores chegaram à conclusão que existe uma oportunidade muito pequena na fase inicial da divisão, ou seja, usando um antibiótico inibidor da proteína FtsZ. No entanto, mais estudos irão ser desenvolvidos de modo a perceberem quais são os momentos em que as bactérias resistentes a antibióticos estão mais vulneráveis, durante a sua fase de divisão, sendo, assim, possível o desenvolvimento de novos compostos antibacterianos que consigam combater este tipo de bactérias. Assim, seria possível impedir que as bactérias resistentes aos antibióticos se reproduzissem por divisão celular e deixariam, deste modo, de proliferar.



 



 


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