Atualidades
“Mini-cérebros” tridimensionais de origem humana para estudar o autismo
2018.3.22
É desta forma que, Catarina Seabra, investigadora do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de Coimbra (UC), que acaba de obter uma bolsa individual Marie Skłodowska-Curie, no valor de 150 mil euros, espera estudar o autismo de forma inovadora.

A estratégia passa por produzir organoides cerebrais (mini órgãos), com uma dimensão de quatro milímetros, a partir de células estaminais dentárias provenientes de pacientes com autismo.



As células estaminais, também chamadas células precursoras ou células mãe, são células com capacidade de originar as células especializadas que constituem os tecidos e órgãos do nosso corpo, por exemplo músculo cardíaco, osso, pele, etc.



Estes organoides designados por “mini-cérebros”, uma vez que simulam o processo de maturação cerebral,  constituem uma vantagem. Segundo Catarina Seabra, «vai ser possível explorar de forma inovadora as caraterísticas do cérebro de pessoas com autismo, prestando especial atenção às mudanças morfológicas e à comunicação entre neurónios, e compará-las com a organização do cérebro de pessoas saudáveis.»



 Espera-se assim, conseguir avaliar as alterações observadas no tecido cerebral, ao nível da sua forma e como se processa a informação comparativamente ao observado no cérebro de pessoas saudáveis.



Ao adotar esta abordagem consegue-se obter células mais facilmente e de forma menos invasiva (recolhendo os dentes do leite ou do siso). Com os dados obtidos é possível reuni-los para que possam ser usados em ações de medicina personalizada, testando tratamentos ajustados às especificidades de cada doente.



A produção destes organoides permitirá ainda substituir os ensaios em modelos animais, habitualmente em ratinhos.



As perturbações do espetro do autismo são condições crónicas que afetam 1 em cada 68 crianças e representam grandes custos para a sociedade. Uma das maiores limitações ao entendimento destes distúrbios, é o acesso ao tecido neuronal dos pacientes.



 


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