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Nova técnica imagiológica mapeia atividade da serotonina em cérebros vivos
2016.10.24
No nosso cérebro, os neurónios comunicam através de moléculas chamadas neurotransmissores. Existem imensos neurotransmissores que possuem diferentes funções – a serotonina é um deles, e é conhecido como o neurotransmissor associado ao bem-estar.

A serotonina é um neurotransmissor que é parcialmente responsável por sentimentos de felicidade e para a regulação do humor em seres humanos. Isto faz com que seja um alvo comum nos antidepressivos, que bloqueiam a serotonina para que seja reabsorvida pelos neurónios depois de ter enviado o seu sinal.



Investigadores do MIT (Massachusetts Institute of Technology) desenvolveram uma técnica de imagem que, pela primeira vez, permite o mapeamento tridimensional da serotonina, como é reabsorvida nos neurónios, em várias regiões do cérebro vivo. Esta técnica, segundo os investigadores, dá uma visão sem precedentes da dinâmica da serotonina, e pode ser uma ferramenta poderosa para a pesquisa e desenvolvimento de antidepressivos.



"Até agora, não foi possível analisar como os neurotransmissores são transportados para as células através de grandes regiões do cérebro", afirma Aviad Hai, primeiro autor do estudo. "É a primeira vez que se pode ver os inibidores de recaptação da serotonina, como os antidepressivos, atuando em diferentes partes do cérebro, e pode-se usar esta informação para analisar todos os tipos de medicamentos antidepressivos, descobrir novos e ver como esses medicamentos afetam o sistema da serotonina em todo o cérebro ".



Muitos antidepressivos têm como alvo a ação da serotonina, bloqueando transportadores de serotonina que reabsorvem o neurotransmissor nos neurónios, por isso podem ser reutilizados depois de ter enviado um sinal químico. Apropriadamente chamados "inibidores selectivos da recaptação da serotonina (SSRIs"), esses medicamentos aumentam os níveis de serotonina no cérebro, aliviando sentimentos de depressão e ansiedade causados ​​por baixos níveis do neurotransmissor.



Para esta nova técnica de imagiologia, os investigadores desenvolveram uma proteína que atua como um sensor que se agarra à serotonina e liberta-a no momento da recaptação. O sensor é injetado, juntamente com a serotonina, e emite um sinal que pode ser lido através de ressonância magnética funcional (IRMf). O sensor permanece desligado - emitindo um sinal baixo - quando está ligado à serotonina, e liga - criando um sinal muito mais brilhante - quando a serotonina é removida.



Este trabalho permitiu estabelecer um método para medir o quanto um neurotransmissor está a ser absorvido, e como essa quantidade, ou taxa, é afetada por diferentes medicamentos, de forma muito semelhante ao que se passa no cérebro. Esta informação pode ser muito valiosa para testar a eficácia do medicamento.



Para validar o sensor, os investigadores mediram com sucesso o efeito esperado da fluoxetina SSRI, comumente chamado Prozac, por transportadores de serotonina em seis sub-regiões de uma área do cérebro conhecida como os gânglios basais, associada ao desempenho de funções na motivação, recompensa, cognição, aprendizagem, emoção e outras funções e comportamentos.



Nos próximos passos da investigação os investigadores vão explorar diferentes regiões do cérebro com este sensor, incluindo a rafe dorsal, que produz mais serotonina no cérebro. Será utilizado também outro sensor baseado em nanopartículas que é mais sensível do que o que foi utilizado para este estudo.



Mais informação em:



https://www.eurekalert.org/pub_releases/2016-10/miot-itm102016.php



 


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