Atualidades
Potencial alvo para o tratamento da Atrofia Muscular Espinhal
2016.9.16
Um novo estudo, publicado no Human Molecular Genetics , demonstrou pela primeira vez, que em casos de Atrofia Muscular Espinhal as células nervosas que controlam o movimento muscular, os neurónios motores, apresentam defeitos nas suas mitocôndrias, responsáveis pela produção de energia utilizada pela célula.

A redução da função mitocondrial e as alterações na estrutura dos neurónios motores foi descoberta antes de os sintomas ocorrerem, sugerindo um papel importante no desenvolvimento da doença.



A Atrofia Muscular Espinhal (AME) é o nome dado a uma doença neuromuscular específica caracterizada pela degeneração dos neurónios motores medulares, condicionando e levando a atrofia e fraqueza muscular progressivas.



A AME apresenta-se sob um amplo espetro clínico que varia desde a morte na primeira infância até uma história natural caraterizada apenas por fraqueza muscular ligeira, com sobrevida até à idade adulta. Sendo uma doença rara, é fundamental o conhecimento de indicadores clínicos que permitam antecipar a evolução, aferindo de forma mais concreta, os prognósticos funcional e vital.



Embora a causa genética da AME tenha sido identificada anteriormente, os mecanismos subjacentes, como a vulnerabilidade específica do tecido não são bem compreendidos. Para estudar esses mecanismos, os investigadores realizaram uma análise de sequenciação profunda do transcriptoma dos neurónios motores da coluna vertebral em modelos de ratinho com AME, sendo os resultados comparados com um grupo de ratinhos controlo. Os resultados observados foram inesperados e demonstraram alterações em vários genes associados com a bioenergética mitocondrial.



Após esta descoberta, a equipa de investigação foi verificar se as funções mitocondriais tinham sofrido alterações em neurónios motores de modelo de ratinho com AME. As medições das atividades mitocondriais funcionais demonstraram uma diminuição basal e respiração mitocondrial máxima nestes neurónios.



Através de sensores de fluorescência especificamente orientados para a mitocôndria, os investigadores encontraram um maior nível de stresse oxidativo e uma perda do potencial de membrana mitocondrial. Além disso, a mobilidade mitocondrial foi prejudicada em condições de doença, observando-se ainda um aumento significativo da fragmentação da rede mitocondrial. 



Curiosamente, estas alterações funcionais e estruturais no modelo de ratinho com AME ocorreram durante a fase pré-sintomática da doença, sugerindo um papel ativo na iniciação da doença. Em conjunto, os resultados do novo estudo revelam um papel crítico dos defeitos mitocondriais na patogénese da AME e sugerem um novo alvo terapêutico para melhorar a saúde do tecido nesta doença.



https://www.sciencedaily.com/releases/2016/09/160915133102.htm


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