Atualidades
Fatores de risco para a cardiopatia congénita
2016.9.12
O novo estudo, publicado na revista PLoS Biology , demonstra que o papel dos genes na cardiopatia congénita é mais complexa do que se pensava anteriormente, e que o risco global é determinado por uma combinação dos efeitos de vários genes dentro e fora do próprio coração.

As cardiopatias congénitas são malformações ou defeitos na estrutura anatómica do coração, sendo a principal causa de morte relacionada com malformações à nascença. 



Compreender como as alterações genéticas causam esses defeitos é complicado, uma vez que muitos dos genes críticos são desconhecidos, e aqueles que são conhecidos contribuem frequentemente apenas para um pequeno aumento do risco de cardiopatias.



A formação normal do coração depende de interações de vários tipos de células que colaboram em tempos e lugares precisos ao longo do desenvolvimento para construir estruturas complexas do coração. Para determinar como é que estas interações podem falhar, a equipa de investigação estudou os defeitos do septo atrial (ASD, um tipo comum de defeito cardíaco) através de um modelo de rato com a síndrome de Cornélia de Lange.



A síndrome de Cornélia de Lange é uma doença genética rara que é fenotipicamente e geneticamente heterogénea. Aproximadamente 30% dos indivíduos afetados apresentam um defeito cardíaco congénito, mas os tipos são um pouco variáveis, verificando-se que as anomalias das artérias, defeitos do septo ventricular e defeitos do septo atrial representam a maioria. Geneticamente, mutações heterozigóticas em três genes autossómicos ( NIPBL , RAD21 e SMC3 ) e homozigóticas em dois genes que residem no cromossoma X ( HDAC8 e SMC1A) representam cerca de 70% dos casos, com NIPBL sendo predominante (~ 60% dos casos). NIPBL codifica uma proteína que se associa e regula o complexo cohesin, que é crítico para a segregação dos cromossomas durante a mitose. Este gene é responsável pela expressão de muitas centenas de outros genes nos tecidos de todo o corpo. 



Através do uso de modelos de ratos geneticamente modificados, os investigadores usaram uma tecnologia inovadora para introduzir ou remover mutações no gene NIPBL em diferentes tecidos durante o desenvolvimento embrionário. Inesperadamente, a equipa descobriu que a deficiência de Nipbl num único tecido, incluindo o tecido que forma o próprio coração, não explica o desenvolvimento de defeitos no septo atrial. Pelo contrário, o desenvolvimento de defeitos cardíacos foi determinado por interações entre tecidos, responsáveis pela formação do coração e do resto do corpo. Na verdade, a deficiência de Nipbl em alguns tecidos teve um efeito protetor contra o desenvolvimento de defeitos do septo atrial.



O estudo acrescenta novas observações e uma maior complexidade na forma como devemos pensar sobre a patogénese da cardiopatia congénita. Os resultados sugerem a hipótese de que defeitos cardíacos, como ASD, ocorrem quando o coração não cresce suficientemente rápido para acompanhar o desenvolvimento do corpo, ou seja, o tamanho do coração e o tamanho do corpo deve ser coordenado para que o coração se desenvolva sem defeitos.



Este estudo é a primeira demonstração genética que refere que os principais fatores de risco para defeitos cardíacos podem encontrar-se fora do próprio coração, sendo um importante passo para a compreensão da patogénese da cardiopatia congénita.



http://www.eurekalert.org/pub_releases/2016-09/p-rff090516.php


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