Atualidades
Bloqueio da migração de células cancerígenas pode ajudar a combater linfoma não-Hodgkin agressivo
2016.8.8
Investigadores da Universidade de Genebra (UNIGE) e dos hospitais da Universidade de Genebra (HUG) descobriram uma forma de combater a migração de células tumorais do linfoma não-Hodgkin agressivo, que consiste em utilizar um anticorpo capaz de neutralizar uma proteína responsável pela migração das células cancerígenas, impedindo assim o desenvolvimento da doença pelo bloqueio da migração.

O linfoma é um cancro que tem origem num órgão linfóide (linfonódulo, baço ou medula óssea) e afeta os linfócitos, um tipo especial de glóbulos brancos. Os linfócitos são componentes essenciais do sistema imunológico mas, como qualquer outra célula, não estão isentos de mutações cancerígenas que podem causar a sua proliferação descontrolada. Estes linfócitos malignos podem circular livremente pelo sangue contudo, como não conseguem sobreviver por muito tempo neste local, são obrigados a encontrar um ambiente mais propício à sua proliferação, como o sistema linfático. Por isso, em muitos casos de linfomas, em especial nos mais agressivos, observa-se a migração dos linfócitos malignos dos vasos sanguíneos para o sistema linfático e consequentemente infiltração em outros órgãos.



Sabe-se que a parede interna dos vasos sanguíneos é formada por uma camada de células endoteliais que atuam como uma barreira, impedindo a saída de circulação das células do sangue. Contudo, alguns linfócitos, em especial do tipo B e alguns subtipos de linfomas B, apresentam um marcador celular, a proteína JAM-C (molécula de adesão juncional), que facilita a passagem dessas mesmas células através das paredes dos vasos sanguíneos. Isto, porque esta proteína também está presente na superfície das células endoteliais que constituem a parede interna dos vasos sanguíneos.



Estudos anteriores em ratinhos usando um anticorpo contra esta proteína demonstraram diminuição da migração dos linfócitos B para os órgãos linfóides.



O estudo foi realizado com o objetivo de perceber o efeito desta proteína JAM-C num tipo específico de linfoma, o linfoma não-Hodgkin, mais concretamente num enxerto de linfoma das células do manto humanas, transplantado em ratinhos.



Os investigadores recorreram ao sistema imune para desenvolver um anticorpo contra a JAM-C, o anti-JAM-C (denominado por H225), que depois foi administrado aos ratinhos xenotransplantados.



Esta terapia com o anticorpo diminuiu a migração dos linfócitos malignos, bem como a proliferação destes linfócitos tanto na medula, como no baço ou linfonódulos.



Além disso, os investigadores verificaram também que o anticorpo foi capaz de diminuir a proliferação dos linfócitos malignos que expressavam a proteína JAM-C, mesmo quando estes linfócitos já tinham alcançado o sistema linfático.



De acordo com os investigadores estão lançadas as bases para uma nova estratégia terapêutica para reduzir a progressão dos linfomas.  


http://www.eurekalert.org/pub_releases/2016-08/udg-btm080416.php
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