Atualidades
Estudo demonstra que a molécula natural N-acetilcisteína tem efeitos benéficos na doença de Parkinson
2016.6.17
A doença de Parkinson é uma doença neurodegenerativa relacionada com o sistema da dopamina, mais especificamente com a falta de dopamina, que parece ser a principal causa da doença de Parkinson. A dopamina é um neurotransmissor que está envolvido principalmente nos processos de aprendizagem, memória e no controlo dos movimentos.

Os tratamentos atuais para a doença de Parkinson estão essencialmente restritos à substituição temporária da dopamina no cérebro, bem como ao retardamento da progressão da doença.



Recentemente, descobriu-se que o stresse oxidativo no cérebro parece também ter um papel crítico na patofisiologia da doença de Parkinson, nomeadamente baixa os níveis de glutationa, uma substância química produzida pelo cérebro para combater o stresse oxidativo. Contudo, estudos demonstraram que os níveis de glutationa no cérebro de doentes de Parkinson podem ser restabelecidos usando uma molécula natural com elevado poder antioxidante, a N-acetilcisteína (NAC), evidenciando assim o papel desta molécula no combate ao dano oxidativo no cérebro.



Dada a sua importância, comprovada no stresse oxidativo, o objetivo do presente estudo foi explorar os efeitos da NAC ao nível do sistema da dopamina na doença de Parkinson. Para isso realizaram ensaios in vitro com culturas de células de neurónios dopaminérgicos do mesencéfalo, diferenciados a partir de células estaminais embrionárias humanas, que foram expostos a uma neurotoxina para simular a toxicidade que se observa na doença de Parkinson. Parte destas culturas de neurónios expostas à neurotoxina foram pré-tratadas com NAC, e nos resultados verificou-se que a NAC conferia um efeito protetor nos neurónios, em relação ao dano provocado pela neurotoxina.



Além dos estudos in vitro, os investigadores realizaram também estudos in vivo com doentes de Parkinson que estavam com o mesmo padrão de tratamento. Estes doentes foram divididos em dois grupos, sendo que o primeiro grupo recebeu uma combinação de NAC via oral e intravenosa (IV) durante três meses e o segundo grupo de pacientes, constituiu o grupo controlo, manteve apenas o seu tratamento padrão para a doença de Parkinson. Ambos os grupos foram avaliados, inicialmente antes da administração de NAC, e após três meses da administração do NAC. Esta avaliação consistiu em medidas clinicas padrão, tais como a determinação do estadio da doença, e um estudo imagiológico ao cérebro, para medir a quantidade de transportador de dopamina ligado aos gânglios basais - área do cérebro mais afetada pela doença de Parkinson. Através da análise dos resultados, os investigadores verificaram que os pacientes que receberam NAC apresentavam melhorias, tanto na quantidade de transportadores da dopamina ligados os gânglios basais, como na progressão da doença.



De acordo com o autor principal deste estudo, esta investigação mostra que a molécula N-acetilcisteina tem um efeito neuroprotetor, permitindo que os neurónios de dopamina recuperem alguma função, alterando assim o processo da doença, evidenciando assim uma potencial via de tratamento da doença de Parkinson.



http://www.eurekalert.org/pub_releases/2016-06/tju-nmc061616.php


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