Atualidades
Potencial alvo terapêutico no Acidente Vascular Cerebral
2016.1.8
Investigadores do VIB (the Flanders Institute for Biotechnology) demonstraram que a inibição de uma proteína específica (PHD1) oferece proteção contra o AVC (Acidente Vascular Cerebral), sendo um potencial alvo para o tratamento futuro desta doença.

Apesar de existirem atualmente algumas melhorias no tratamento desta doença, as doenças cardiovasculares, como enfartes e AVC, continuam a ser a principal causa de morte no mundo e a causa mais comum de incapacidade grave. 



O cérebro é um órgão único, uma vez que precisa de elevados níveis de oxigénio e glicose para produzir energia, necessária para o seu normal funcionamento e sobrevivência.  Numa situação de AVC, a diminuição do suprimento sanguíneo, ameaça esse equilíbrio de energia, ocorrendo a morte neuronal. 



A PHD1 é uma proteína que pertence à família das proteínas de domínio prolil-4-hidroxilases (PHDs)  que funcionam como sensores primários de oxigénio, são responsáveis por regular o metabolismo celular, no entanto o seu papel no metabolismo neuronal durante o AVC era desconhecido até ao momento. Este estudo foi realizado com o objetivo de, compreender o papel da proteína PHD1 no metabolismo neuronal, recorrendo-se para isso ao uso de modelos animais de ratinhos com inibição da PHD1.



A inibição da PHD1 foi obtida recorrendo à terapia, utilizando oligonucleotídeos antisense. O papel principal da terapia é inibir a tradução de uma proteína alvo, neste caso a PHD1. Para isso, os ratos foram submetidos a uma  injeção intracerebroventricular de oligonucleotídeos PHD1-antisense.



Os resultados demonstraram que os ratos que não apresentavam o sensor de oxigénio PHD1 foram protegidos contra um derrame, induzido através da obstrução de um vaso sanguíneo, a principal via de fornecimento de oxigénio e glicose para o cérebro. Para além do efeito do enfarte ser reduzido em mais de 70% (um efeito benéfico invulgar), os ratos que não apresentavam PHD1 apresentaram-se também muito melhores nos testes funcionais após o AVC.



Quando as células cerebrais são privadas de oxigénio ocorre um problema crítico, uma vez que existe a produção de subprodutos secundários prejudiciais, as espécies reativas de oxigénio (ROS), que provocam a morte neuronal.



A maioria dos tratamentos utilizados é ineficaz, pois o principal objetivo é tratar as consequências e não a causa destas ROS. A equipa de investigação focou o seu estudo num conceito completamente novo, utilizou a energia endógena das células do cérebro para aumentar a neutralização desses produtos secundários tóxicos. Os investigadores descobriram que a inibição do sensor de oxigénio PHD1 protege as células cerebrais contra estes produtos secundários tóxicos pela reprogramação do metabolismo da glicose em condições de baixo oxigénio.



Ao reprogramar a utilização da glicose, os neurónios com ausência de PHD1 aumentaram a capacidade para eliminar as ROS, protegendo o cérebro contra o AVC.



Estes resultados alcançados pela primeira vez demonstram que, o bloqueio da via PHD1 oferece uma grande proteção contra os danos cerebrais irreparáveis, ​​quando os vasos sanguíneos já não podem fornecer nutrientes vitais para as células do cérebro.



Os resultados deste estudo identificam PHD1 como um regulador do metabolismo neuronal e um potencial alvo terapêutico no acidente vascular cerebral isquémico, no entanto é necessário realizar novos estudos para determinar a sua verdadeira eficácia.



http://www.sciencedaily.com/releases/2016/01/160107140421.htm


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