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| Hoje a Biocas vai falar-te... |
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| Hoje a Biocas vai falar-te sobre o filme “Juventude inquieta” (Rumble fish, realizado por Francis Ford Coppola, EUA, 1983). Além de te contar um pouco da história do filme vai falar-te sobre uma anomalia na percepção visual (que uma das personagens do filme possui) que é caracterizada pela incapacidade de diferenciar todas ou algumas cores – o Daltonismo. |
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O Filme: o filme tem como cenário um bairro americano de uma cidade industrial repleta de violência, gangs e delinquência. Este filme mostra o confronto de gerações e uma juventude decadente, sem perspectivas, em busca de rumo e objectivos. Neste ambiente cresce Rusty James (interpretado por Matt Dillon), que cultiva a mística dos rebeldes de moto, nos anos 50 e 60, e que vive obcecado com a ideia de se tornar igual ao seu irmão mais velho, líder do principal gang da cidade – o “Motorcycle Boy” (interpretado por Mickey Rourke). Este obstinado motociclista é um rapaz sonhador e perturbado, que partiu para a Califórnia na tentativa de se libertar da sua vida angustiante. A sua falta de rumo é simbolizada pelo daltonismo (que o faz ver tudo a preto e branco) e por uma ocasional surdez que, em conjunto, o fazem viver numa realidade obscura. Como a história se desenvolve em torno da óptica desta personagem, todo o filme é a preto e branco (à excepção dos peixes que aparecem dentro de um aquário). Em momentos chave, o realizador optou por utilizar cores de forma a fazer um paralelismo entre a vida destes jovens arruaceiros e uma espécie de peixes (cujo nome é o título original do filme - Rumble Fish) que têm de permanecer isolados uns dos outros para não se atacarem até à morte (uma referência óbvia à situação vivida pelos jovens daquela pequena cidade). As imagens captadas a preto e branco, a presença constante de nuvens e de fumo, o jogo de luz e sombras transformaram este filme numa experiência visual de referência.
Os Factos: Este filme, ainda que de forma simbólica, faz alusão a uma das anomalias fenotípicas mais comuns, determinadas por genes recessivos localizados no cromossoma X – o Daltonismo.
O Daltonismo (também designado de discromatopsia ou discromopsia) é uma perturbação da percepção visual que pode resultar de lesões ou ser hereditária, e que pode ser de vários tipos: desde a troca de cores, à dificuldade de distinção entre cores (por exemplo, entre o verde e o castanho) e também a visão acromática (consegues imaginar o mundo apenas a preto, branco e cinzento tal como a personagem do Motorcycle Boy?). Este distúrbio era desconhecido até ao século XVIII e recebeu o nome de daltonismo em homenagem a John Dalton (químico e físico inglês que desenvolveu a teoria atómica), que foi o primeiro cientista a estudar esta anomalia de que ele próprio era portador. Uma vez que esta anomalia está geneticamente ligada ao cromossoma X, ocorre mais frequentemente entre os indivíduos do sexo masculino (pois, no caso das mulheres, ambos os cromossomas X terão de possuir o gene anómalo). Os portadores do gene que determina o daltonismo apresentam dificuldade na percepção de determinadas cores primárias, como o verde e o vermelho (o que afecta a percepção das restantes cores do espectro). Esta perturbação é causada por ausência total ou menor número de alguns tipos de cones (células existentes na região central da retina, responsáveis pela visão das cores). Apesar dos inconvenientes que lhe estão associados, o daltonismo pode representar uma vantagem evolutiva sobre os indivíduos de visão normal (tal como foi descrito num artigo publicado pela BBC Online). Uma pesquisa realizada na Universidade de Cambridge demonstrou, inclusivamente, que algumas formas de daltonismo podem proporcionar uma visão mais aprimorada de algumas cores. Por exemplo, durante a Segunda Guerra Mundial descobriu-se que os soldados daltónicos tinham mais facilidade em detectar camuflagens ocultas na vegetação.
De forma a perceberes melhor de que forma, ao nível da genética, o daltonismo é transmitido hereditariamente, propomos que leias as informações que constam da secção seguinte, em “Vamos falar de “. |
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