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| Hoje a Biocas vai falar-te... |
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| Hoje a Biocas vai falar-te sobre o filme “Fora de Controlo” (Outbreak, realizado por Wolfgang Petersen, EUA, 1995). Além de te contar um pouco da história do filme, vai explicar-te alguns conceitos e ideias abordados. |
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O Filme: Em 1967 é descoberto, no Zaire, um vírus hemorrágico (semelhante ao verdadeiro Ébola) ao qual é dado o nome de Motaba. Este vírus provoca a liquefacção dos órgãos internos, graves hemorragias, e tem uma taxa de mortalidade de 100%. 27 anos depois, o Motaba chega aos Estados Unidos, à localidade de Cedar Creek na Califórnia, transportado por um macaco. Rapidamente há pessoas que começam a ficar infectadas e chegam à cidade elementos do “Center for Disease Control and Prevention” (CDC) e do “United States Army Research Institute of Infectious Diseases” (USARIID) para investigar este caso, estabelecer uma quarentena e tentar encontrar uma vacina.
Os Factos: Neste filme é abordado o tema da propagação de um vírus entre a população (ainda que o faça de uma forma alarmista e exagerada à boa maneira de Hollywood). Eis um assunto estudado pela epidemiologia – a epidemiologia é o estudo da origem das doenças e da sua distribuição entre as populações humanas. Inicialmente, a epidemiologia estudava apenas as doenças transmissíveis, mas hoje em dia engloba o estudo de todos os fenómenos relacionados com a saúde das populações.
E o que é um vírus? Os vírus são parasitas intracelulares, muito pequenos e infecciosos, que não respiram, não se movimentam e não crescem. O genoma de um vírus é composto por ADN ou ARN que comanda a replicação viral por síntese de componentes dentro da célula hospedeira. Os novos vírus são formados por associação desses novos componentes, processo que ocorre igualmente dentro da célula hospedeira.
Os vírus são altamente imunogénicos e induzem dois tipos de resposta imunitária; humoral e celular. A resposta humoral é responsável por bloquear a infecciosidade do vírus (neutralização). Os anticorpos são produzidos em resposta aos componentes da superfície de vírus intactos bem como em resposta a componentes internos de vírus destruídos. São também produzidos em resposta a componentes à superfície de células infectadas ou libertados por estas células. A resposta celular (mediada principalmente pelos linfócitos T citotóxicos) mata as células infectadas que expressam proteínas virais à superfície.
Uma das características da infecção com o vírus Ébola, por exemplo, é a destruição do sistema imunitário. A maioria dos doentes infectados com o vírus não conseguem desenvolver uma resposta imunitária adequada. Uma das primeiras falhas no sistema imunitário é a incapacidade de activar as células T no início da infecção, o que resulta numa resposta humoral insuficiente (que inclui anticorpos e citocinas). Outra consequência da não activação adequada das células T é a apoptose dos leucócitos. O vírus causa danos graves nos nódulos linfáticos, baço e medula óssea. Verificou-se que os doentes que sobrevivem à infecção pelo Ébola foram capazes de desenvolver mais fortemente respostas de anticorpos nos estádios iniciais da infecção, do que os doentes que sucumbiram à doença. O papel do sistema imunitário inato é então considerado fundamental nos primeiros dias de infecção de modo a controlar a replicação viral. |
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