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Biorremediação
PrestigeO desenvolvimento das actividades humanas tem levado à crescente introdução de grande variedade de contaminantes e poluentes nos ecossistemas, pondo em risco o seu equilíbrio natural. Neste contexto, os ecossistemas aquáticos são particularmente afectados por serem os principais receptores dessa contaminação. A poluição marinha causada pelo petróleo e seus derivados constitui uma grande ameaça e provém de fontes variadas tais como, infiltrações naturais, descargas de combustível proveniente de navios, derrames das refinarias e plataformas de extracção de petróleo, acidentes com petroleiros, entre outros.

Exxon ValdezA indústria do petróleo é mundialmente reconhecida como uma das actividades económicas com maior impacte no meio ambiente, principalmente no que respeita ao seu transporte nos petroleiros. É a este nível que se registam os mais graves acidentes ambientais da era industrial, destacando-se, por exemplo, o derrame de 180.000 toneladas de petróleo bruto do navio "Exxon Valdez", na costa sudeste do Alasca em 24 de Março de 1989 e, mais recentemente, o naufrágio do navio petroleiro "Prestige", na costa noroeste da Espanha, em 19 de Novembro de 2002.

Ave afectada pelo PrestigeO termo “hidrocarboneto” é utilizado sempre que nos referimos a “petróleo”, sob qualquer forma. Quando o petróleo é derramado no mar, espalha-se pela superfície, formando uma espécie de lençol, em que os hidrocarbonetos sofrem uma série de transformações físico-químicas. Algumas dessas transformações levam a que os compostos derivados do petróleo desapareçam totalmente da superfície da água ou que, contrariamente, nela persistam colocando em perigo muitas espécies de aves, peixes, mamíferos e outros seres vivos existentes na zona costeira.

Zona costeira afectada pelo PrestigeTorna-se assim frequente distinguir entre produtos não persistentes, que tendem a desaparecer rapidamente da superfície do mar (gasolina, nafta química, querosene e diesel) e persistentes, os que se dissipam mais lentamente, embora o grau de persistência possa variar com as suas propriedades e, normalmente, requerem uma acção de limpeza para serem eliminados. Existem várias formas de remover e/ou “limpar” petróleo derramado. Confinamento - PrestigeO grau de sucesso associado a cada um destes métodos depende de uma grande variedade de factores, tais como as variáveis ambientais, tipo de derrame, recursos económicos e, claro está, com a localização do derrame. No entanto, não existe nenhum método suficientemente eficaz para limpar petróleo derramado. Na realidade, a maioria dos esforços para a limpeza de petróleo derramado à superfície da água resultam da combinação de vários métodos. Os três principais métodos utilizados para remediação deste tipo de situações são: 1) Confinamento e remoção; 2) Aplicação de dispersantes e 3) Biorremediação.

1) Confinamento e remoção

Remoção - Exxon ValdezNeste método utilizam-se, normalmente, barreiras de contenção (bóias ligadas a redes) que confinam o derrame de petróleo e facilitam a sua remoção mecânica da superfície da água, recorrendo a técnicas de aspiração, filtragem superficial, utilização de materiais absorventes, entre outros processos seguros de eliminação.

2) Dispersantes

Molécula de surfactanteOs dispersantes são utilizados para transformar o “lençol” de petróleo em pequenas gotas dispersas pela água. Emulsão de óleo em águaContêm surfactantes (detergentes) e ambos possuem regiões hidrofílicas e hidrofóbicas. As cabeças hidrofílicas destas moléculas interagem com a água, enquanto que as caudas interagem com o petróleo ou seus derivados. O resultado é a formação de uma emulsão petróleo/água, composta por inúmeras gotas de petróleo de pequenas dimensões em suspensão na coluna de água.

3) Biorremediação

OEM - cartoonA utilização de microrganismos na recuperação de áreas contaminadas, através da decomposição de substâncias nocivas em elementos não tóxicos, é um exemplo de biorremediação. Os microrganismos que através de um processo biológico natural se “alimentam” de petróleo são designados de Oil eating microbes (OEM). Os OEMs transformam o petróleo, através da quebra de ligações químicas, em componentes menos nocivos tais como ácidos gordos, ou em elementos ainda mais simples como carbono, dióxido de carbono e água. Assim, se o Homem aumentar temporariamente a concentração de OEMs, através da adição de nutrientes (tais como o nitrogénio e o fósforo) à água, consegue estimular o crescimento microbiano no local onde ocorreu um derrame de petróleo, favorecendo a sua degradação.
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